O Proximo como Espelho
O Proximo como Espelho
Jesus contou uma parabola que incomodou sua audiencia entao e continua incomodando hoje. Um homem perguntou: «E quem e o meu proximo?» Esperava talvez uma resposta que lhe permitisse limitar sua responsabilidade. O que recebeu foi a historia do bom samaritano — um estrangeiro desprezado que mostrou misericordia quando os religiosos respeitaveis passaram ao largo.
No final, Jesus virou a pergunta: «Qual destes tres te parece ter sido o proximo daquele que caiu nas maos dos salteadores?» Nao se tratava de definir quem merecia nosso amor. Tratava-se de nos tornarmos pessoas que amam. O proximo nao e uma categoria que limitamos; e qualquer um que encontramos no caminho.
As pessoas que Deus coloca em nossa vida nao estao la por acidente. O colega de trabalho que nos irrita. O familiar que nao entende nossa fe. O vizinho com opinioes opostas. O mendigo na esquina. Cada um e oportunidade de amar — e cada um nos revela algo sobre nos mesmos.
Jesus disse sem rodeios: «Por que ves tu o argueiro no olho do teu irmao, e nao reparas na trave que esta no teu proprio olho?» O que nos incomoda nos outros frequentemente aponta algo nao resolvido em nos. A pessoa que nos tira do serio pode ser o instrumento que Deus usa para nos mostrar areas onde ainda precisamos crescer.
Paulo entendia isso quando escreveu: «Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo». A vida em comunidade — com todas as suas friccoes e dificuldades — e a oficina onde se pule o carater. Podemos ler sobre o amor em solidao, mas so o aprendemos em relacionamento. Podemos admirar a paciencia em teoria, mas so a desenvolvemos quando alguem nos testa.
Por isso a igreja importa. Nao porque sejamos perfeitos — claramente nao somos — mas porque precisamos uns dos outros para crescer. «Como o ferro com ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo», diz Proverbios. O crescimento espiritual nao e projeto individual. E algo que acontece em comunidade, no dar e receber, no perdoar e ser perdoado, no amar pessoas reais com defeitos reais.
Jesus colocou o padrao muito alto: «Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldicem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem». Nao disse que seria facil. Disse que assim seriamos filhos de nosso Pai celestial, «que faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desca sobre justos e injustos».
O amor que Jesus ensina nao discrimina. Nao calcula se o outro o merece. Nao espera reciprocidade. Simplesmente ama — porque essa e a natureza de Deus, e nos somos chamados a refletir essa natureza. Cada pessoa que encontramos e oportunidade de praticar esse amor radical. Cada interacao e momento de decisao: responderei a partir do ego ferido ou a partir do amor de Cristo em mim?
Seu proximo — o de hoje, o desta hora — e seu mestre. Nele ou nela voce encontrara exatamente as licoes que precisa aprender.